Marcos Braz não banca Renato no Flamengo: “Na segunda-feira a gente começa a decidir”

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O futuro de Renato Gaúcho no Flamengo deve começar a ser decidido na segunda-feira. Na chegada da delegação rubro-negra ao Rio de Janeiro, na manhã deste domingo, o vice-presidente de futebol do clube, Marcos Braz, atendeu a imprensa e pediu calma para ajustes, mas não bancou a permanência do treinador.

– Não tem decisão. Está todo mundo virado, cansado. Com calma e tranquilidade vamos começar a programar. Temos uma programação a ser feita, e na segunda-feira a gente começa a decidir alguns pontos que a gente entenda que possa fazer de correção para que se acabe a temporada. O que posso dizer é que o Renato tem contrato com o Flamengo até 31 de dezembro. Com calma vamos tomar as decisões possíveis – afirmou o dirigente.Renato Gaúcho acompanha a final da Libertadores — Foto: Getty Images

Braz lamentou a derrota na final para a Libertadores e pediu desculpas especialmente aos torcedores que foram até a capital uruguaia para acompanhar a partida contra o Palmeiras.

– Não era o que eu queria. Peço desculpa à torcida, principalmente aos que se empenharam para ir a Montevidéu, mas vida que segue. Vamos tocar da maneira que tem que tocar – disse o dirigente.

Erro de Andreas ficará na história

Difícil falar de um jogo decidido por um erro individual.

Andreas Pereira teve papel determinante no título do Palmeiras na Libertadores e sabe disso – tanto que pediu desculpas em meio ao pranto sem fim na noite de sábado. Mas a justiça da vitória verde vai além e passa por um fator que repete Lima-2019: competiu mais do que o Flamengo.

Seja pela autossuficiência técnica, seja por características de jogo, o Flamengo se comportou por boa parte dos 120 minutos como se jogasse uma partida de pontos corridos do Brasileirão. Não à toa, quando deu por si já perdia por 1 a 0.

Andreas Pereira na derrota do Flamengo para o Palmeiras — Foto: Getty ImagesTal qual no Peru quando contou com o predestinado Gabigol para virar um jogo onde pouco produziu, o Flamengo parecia entrar mais fraco nas divididas e fazer mais força para jogar. A impressão era de que sempre os jogadores do Palmeiras tinham maior liberdade e espaço para construir.

A final da Libertadores é um típico caso onde os números dizem muito pouco do que foi o jogo. O Flamengo teve maior posse de bola (64% x 36%), finalizou mais (19 x 10), mas praticamente não deu trabalho a Weverton. Tanto que o Palmeiras concluiu na direção do gol seis vezes, enquanto os rubro-negros apenas duas.

O clichê indica que em uma final de 90 minutos os detalhes fazem a diferença, e o detalhe do Centenário foi um Flamengo que entrou em campo para sentir o jogo e um Palmeiras que absorveu o clima de uma final antes do apito inicial. O time de Abel Ferreira já estava mais firme nas divididas e ciente do que fazer quando Gustavo Gomez lançou Mayke que rolou para Veiga escorar para o gol.

O lance já mostrava um Flamengo desarrumado e com Filipe Luís fora dos 100%. O lateral praticamente não é visto no lance onde Mayke supera Bruno Henrique para dar a assistência. Com 1 x 0, o jogo ficou dos sonhos para o Palmeiras.

Bem fechado, o time verde alternativa linhas de quatro e de cinco defensivas para fechar os espaços de um Flamengo que teve muitos jogadores bem abaixo do esperado. Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e Arrascaeta fizeram muito pouco para furar a retranca, e coube a David Luiz e Andreas encontrar espaços.

A falha decisiva do volante se torna ainda mais cruel justamente por isso. Nos 90 e poucos minutos de bola rolando, foi Andreas o melhor jogador rubro-negro. Quem mais chamou a responsabilidade e tentou criar algo.

A entrada de Michael na vaga de Éverton Ribeiro no segundo tempo era até óbvia para abrir um time que insistia em jogar por dentro. A capacidade de criação, por sua vez, seguia pouca, até que Gabigol saiu da área para tabelar com Arrascaeta e empatar na reta final do segundo tempo. Foi quando o Flamengo ficou mais perto de vencer.

Michael recebeu passe longo e limpo para invadir a área e chutar cruzado. Errou o alvo. Vacilo quase tão grande quanto o de Andreas minutos depois, mas pouco lembrado.

Com Kenedy na vaga de Bruno Henrique, o Flamengo tentou ganhar fôlego, mas nem teve tempo de arrumar a equipe. O apagão de Andreas tornou Deyverson herói e a América verde.

O 2 a 1 do Palmeiras caiu no time do Flamengo como um ato final. Por mais que tivesse mais de 20 minutos pela frente, o time perdeu forças, a arquibancada também, e a equipe ficou sem o tricampeonato.

Venceu o time que mais competiu e menos errou. Fica a dica aos rubro-negros para o ano que vem, quando disputará novamente uma vaga na decisão em Guayaquil.

Com GE

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