Forte sangria do Açude Grande de Cajazeiras impressiona e revela risco de assoreamento irreversível

Por Redação com Diario do Sertão - em 6 horas atrás 4

O Sertão da Paraíba acordou sob o som das águas nesta quarta-feira (25). Uma madrugada de chuva intensa transformou a paisagem urbana e colocou a população em alerta. Segundo a EMPAER, os pluviômetros registraram mais de 113 milímetros, volume suficiente para mudar rapidamente o cenário em torno do Açude Grande, que fica no Centro da cidade.

Pela força da natureza, o manancial atingiu uma lâmina de sangria que ultrapassou meio metro de altura, fazendo a água transbordar pelo canal que corta a área central. O volume é tão impressionante que a água quase cobriu as pontes ao longo do vertedouro.

Com a força da correnteza, o canal carrega um “tapete verde”: uma grande quantidade de baronesa, vegetação aquática conhecida na região como “pasta”, arrastada pelas águas que serpenteiam entre as construções e revelam a intensidade do fluxo em direção aos bairros mais baixos.

Apesar da beleza das imagens de drone da TV Diário do Sertão, o momento também é de atenção. O volume elevado provocou alagamentos em diversos pontos da cidade, especialmente em áreas próximas aos canais pluviais.

Além do risco às pessoas, o engenheiro Fernando Figueiredo faz um alerta sobre a situação do manancial, que dá sinais claros de assoreamento — acúmulo de sedimentos (terra, areia, lixo e rochas) no fundo de rios e lagos, causado pela erosão do solo e intensificado pelo desmatamento e pela ocupação humana.

“Uma das consequências disso é a grande quantidade de vegetação no açude. Ela é um dos fortes indícios de que o açude está perdendo profundidade, acumulando muita matéria orgânica. A poluição, junto com essa matéria, faz com que o oxigênio da água diminua e, quando isso acontece, pode chegar a um ponto sem volta, deixando o açude sem vida.”

A Defesa Civil e as autoridades seguem monitorando os riscos, enquanto Cajazeiras assiste, entre o espanto e a admiração, ao espetáculo e aos desafios trazidos pelas chuvas.

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