Paraíba terá restauração de corais e conservação marinha com investimentos de R$ 5,5 milhões

Por Redação com Secom-PB - em 4 minutos atrás 1

A Paraíba passa a integrar o mapeamento e monitoramento dos recifes rasos ao longo do litoral brasileiro por meio do projeto SER Corais, desenvolvido pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade. No estado, a área contemplada fica no município de Cabedelo, no Parque Estadual Marinho Areia Vermelha.

O programa terá duração de 36 meses e contará com investimento de R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental, dentro da iniciativa BNDES Azul. A ação inclui mergulhos científicos, análises ambientais e produção de mapas técnicos para subsidiar políticas públicas de conservação marinha.

Além do monitoramento, o projeto prevê oficinas técnicas, capacitação e apoio a atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes, contribuindo para a proteção costeira, o turismo e a pesca.

Monitoramento em larga escala

O SER Corais realizará expedições de campo, coleta e análise de dados ambientais ao longo de cerca de 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro. A iniciativa irá acompanhar a cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de espécies exóticas invasoras, além de produzir mapas técnicos, relatórios científicos e protocolos de restauração recifal.

A atuação do projeto será distribuída entre os estados de Alagoas (Japaratinga e Maragogi), Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Ao todo, pelo menos dez unidades de conservação serão apoiadas.

O projeto prevê ainda avaliar a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias, monitorar 28 espécies e promover 43 eventos técnicos e oficinas durante a execução.

Maior iniciativa do país para corais

Segundo o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, a contratação assinada nesta sexta-feira marca o início de uma das operações aprovadas no âmbito do BNDES Corais, considerada a maior chamada pública já realizada no país dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral.

“Os recifes de corais são fundamentais para a biodiversidade marinha, para a proteção da costa e para a atividade pesqueira e turística. Com o projeto SER Corais, estamos fortalecendo a ciência brasileira e apoiando soluções baseadas na natureza, em sintonia com as prioridades do governo Lula”, afirmou.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que o programa alia conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social, fortalecendo comunidades costeiras e promovendo desenvolvimento sustentável.

Restauração ecológica e inovação tecnológica

Além do monitoramento em larga escala, o projeto prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo experimentos de cultivo de corais in situ (viveiros no mar) e ex situ (em laboratório), testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas.

Também será criado um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida (PNADPRR) para espécies invasoras no ambiente marinho, fortalecendo o sistema nacional de monitoramento e resposta a bioinvasões.

A iniciativa deve gerar empregos diretos e indiretos, ampliar a capacidade técnica de pesquisadores e reforçar a produção de conhecimento aplicado à gestão costeira. O monitoramento contínuo permitirá identificar fatores de estresse local, como pesca predatória, poluição e urbanização desordenada, orientando medidas de mitigação e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Para Fabiana Felix, fundadora do Instituto Nautilus, o SER Corais amplia uma estratégia já consolidada de monitoramento recifal. Segundo ela, o projeto permitirá expandir ações desenvolvidas anteriormente com foco nos peixes para os próprios corais e organismos bentônicos, gerando dados estratégicos para políticas públicas e ações de restauração.

Alinhamento internacional

A operação está alinhada à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, à Década da Restauração de Ecossistemas e ao Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos (PAN Corais). Também contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 8, 12, 13 e 14.

Ao integrar ciência, restauração ambiental e desenvolvimento local, o projeto reforça a atuação do BNDES Azul como instrumento estratégico de proteção dos oceanos e de promoção da economia sustentável no litoral brasileiro.

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