Guerra no Irã deixa agro em alerta; governo prega cautela
Por Redação com Camila Yunes e Matheus Alleoni - em 1 hora atrás 4
Enquanto a guerra no Irã vai ganhando novos contornos, o Brasil observa atento os desdobramentos que causarão impacto na economia. Os países do Oriente Médio representam de 10% a 15% das exportações brasileiras, com destaque para o milho e carnes de frango, bovina e halal.
A carne halal é produzida por meio de um método de abate animal que segue as regras da religião muçulmana. O Brasil é o maior exportador do produto.
O Irã não tem um grande peso na balança comercial com o Brasil. A exceção é o mercado do milho, que representou aproximadamente 67% do que foi embarcado ao país persa, somando quase U$ 2 bilhões.
A Jovem Pan apurou que os desdobramentos da guerra estão sendo acompanhados com atenção pelo governo, mas nenhuma decisão será tomada antes de qualquer elevação dos preços.
Interlocutores disseram que mantêm diálogo constante com o setor produtivo e que o Planalto tomará as medidas necessárias para auxiliar caso seja necessário.
Os setores de grãos e carnes tendem a ser afetados, mas, no momento, a principal preocupação é com o preço do petróleo, já que a região é de extrema importância para a produção e circulação do combustível. Com isso, as consequências do conflito podem afetar os custos de produção.
O fechamento do Estreito de Ormuz, maior e principal passagem marítima do petróleo no Oriente Médio, nesta segunda-feira (2), preocupa. A passagem fica entre a Península Arábica e o Irã, é uma artéria vital para o comércio mundial, principalmente para o transporte de petróleo. O estreito conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, e concentra cerca de 20% do fluxo global da commodity.
Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global, diz que o preço do petróleo acaba reverberando no valor dos insumos, principalmente os nitrogenados, como os fertilizantes, por exemplo.
“A preocupação geral pro setor é essa questão de custos. A gente está vivendo um momento onde os custos eles têm apertado muito a margem do produtor e os preços globais não estão num patamar tão alto como anteriormente”, diz.
Nesta segunda-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse que o governo segue acompanhando os desdobramentos. Ele também ressaltou o impacto no preço do petróleo, usando como exemplo outros países produtores envolvidos em conflitos, como Rússia e Venezuela. Durante coletiva de imprensa, ele negou que a inflação no Brasil possa piorar: “A inflação não preocupa. O Brasil é autossuficiente em petróleo, mas isso (guerra) não é bom para a economia, nunca é bom para ninguém”.
O ministro da Economia, Fernando Haddad, também comentou sobre possíveis desdobramentos. “A escala do conflito vai determinar muita coisa, agora, a economia brasileira está em um momento muito bom de atração de investimento, então, mesmo que haja uma turbulência de atração de curto prazo, ela não deve impactar as variáveis macroeconômicas”, disse Haddad nesta terça-feira (2) em entrevista a jornalistas na Universidade de São Paulo (USP).
Apesar do momento de estabilidade, o ministro adiantou que, se houver uma escalada maior, haverá necessidade de adotar outras medidas. “No momento, é acompanhar com cautela e estar eventualmente preparado para uma piora do ambiente econômico, que nesse momento é difícil prever que vá acontecer”, declarou.
