Estudantes de Medicina da UFPB protestam contra risco de “colapso” no internato em 2027

Por Redação com Sabrina de Sá - em 50 minutos atrás 4

Na manhã desta segunda-feira (9), por volta das 6h, em João Pessoa, estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) iniciaram um protesto para chamar atenção para um problema que pode afetar a formação acadêmica e o funcionamento do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW).

Segundo os alunos, a situação é consequência de um efeito cascata iniciado durante a pandemia de Covid-19. Na época, a suspensão das atividades presenciais impediu a oferta de diversas disciplinas práticas, o que desorganizou o calendário acadêmico e provocou um represamento de estudantes.

Com isso, muitos alunos precisaram esperar períodos seguintes para cursar matérias obrigatórias. Enquanto outras universidades conseguiram reorganizar o fluxo acadêmico, os reflexos ainda são sentidos na UFPB. Como consequência, o tempo médio de formação, que antes era de seis anos, passou a chegar a cerca de sete anos e meio para parte dos estudantes.

“Colapso de janeiro de 2027”

A principal preocupação dos alunos é um cenário que ficou conhecido entre eles como “colapso de janeiro de 2027”.

De acordo com os estudantes, o represamento acumulado pode fazer com que três turmas ingressem no internato ao mesmo tempo. Em vez de cerca de 60 estudantes por período, o número pode chegar a quase 200 acadêmicos simultaneamente. No total, mais de 600 alunos podem ser afetados.

O tema começou a ganhar repercussão devido ao impacto potencial na formação médica e no atendimento em saúde.

Impacto no Hospital Universitário

O Hospital Universitário Lauro Wanderley é o principal campo de estágio dos estudantes de Medicina da UFPB. No local, os acadêmicos acompanham atendimentos e procedimentos como parte da formação prática.

Segundo os estudantes, o hospital já opera com menos de 60% da capacidade devido a reformas. Caso ocorra a entrada simultânea de várias turmas no internato, ambientes preparados para cerca de 10 alunos poderiam receber até 30, o que, segundo eles, prejudicaria a qualidade do aprendizado e a organização do atendimento aos pacientes.

Proposta de solução

A proposta defendida pelos estudantes é adequar a carga horária do internato, reorganizando o fluxo de entrada nessa etapa final da graduação.

Atualmente, a carga horária do internato na UFPB é de 3.795 horas. A proposta sugere 2.865 horas, alinhando o curso às Diretrizes Curriculares Nacionais da Medicina de 2025 e mantendo o mínimo exigido de 7.200 horas totais de formação.

Universidades como UFMG (2.805h), UFRJ (3.080h) e USP de Ribeirão Preto (2.256h + 960h de extensão) já adotam modelos semelhantes.

De acordo com os estudantes, a proposta conta com apoio da Reitoria da UFPB, da direção do Centro de Ciências Médicas, da coordenação do curso e da gestão do HULW, mas ainda enfrenta lentidão na aprovação em alguns departamentos.

A preocupação é com o prazo: para evitar o cenário crítico projetado para 2027, a mudança precisaria ser aprovada até maio de 2026.

Nas mobilizações, os alunos afirmam que a reivindicação busca garantir qualidade na formação médica e melhores condições de atendimento no hospital universitário.

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