Rompimento de Dr. Jhonny com base de João Azevêdo gera críticas, perdas de aliados e incerteza política

Por Redação - em 59 minutos atrás 4

As primeiras consequências políticas do rompimento protagonizado pelo médico campinense Dr. Jhonny Bezerra com o projeto político do governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), já começaram a aparecer.

A decisão do ex-candidato a prefeito de Campina Grande de deixar a base governista para apoiar o projeto do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), abriu uma crise no grupo que até então o acompanhava.

Em Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral do Estado, a vereadora Waléria Assunção (PSB), conterrânea de Jhonny, declarou nesta quarta-feira (4) que não seguirá apoiando o médico em sua pretensão de disputar uma vaga na Câmara Federal.

Segundo Waléria, o rompimento foi uma decisão pessoal de Jhonny, e ela permanecerá no projeto político liderado por João Azevêdo e pelo vice-governador Lucas Ribeiro (Progressistas), que assumirá o Governo do Estado no início de abril e deverá disputar a reeleição.

A mudança de posição de Dr. Jhonny também foi criticada pela vereadora Aninha Cardoso (Republicanos), esposa de Marinaldo Cardoso, candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo médico nas eleições municipais de 2024.

Sem poupar palavras, Aninha afirmou que o ex-aliado “deu um tiro no próprio pé” ao abandonar a base governista e o classificou como ingrato. Segundo ela, após o pleito de 2024, Jhonny teria afirmado que Marinaldo seria seu candidato a deputado estadual — compromisso que, de acordo com a vereadora, foi quebrado antes mesmo do anúncio oficial do rompimento.

Aninha também lembra que boa parte dos votos obtidos por Jhonny na disputa pela Prefeitura de Campina Grande veio de eleitores insatisfeitos com o prefeito Bruno Cunha Lima (União) — justamente o grupo político do qual o médico agora se aproxima.

“Ele perdeu o discurso”, resumiu.

Outro aliado que demonstrou frustração foi o deputado estadual Inácio Falcão (PCdoB). Candidato a prefeito em 2024, o parlamentar apoiou Dr. Jhonny no segundo turno da eleição municipal e lamentou publicamente o que classificou como falta de coerência do ex-aliado.

Se, de um lado, o rompimento provocou debandada entre antigos aliados, do outro a chegada de Jhonny também foi recebida com cautela.

As principais lideranças do novo campo político preferiram o silêncio. Nem o prefeito Bruno Cunha Lima nem o deputado federal e ex-prefeito Romero Rodrigues (Podemos) fizeram manifestações públicas de entusiasmo com a nova aliança.

O próprio Cícero Lucena limitou-se a citar o nome de Dr. Jhonny de forma discreta em uma publicação nas redes sociais, sem maiores demonstrações de acolhimento político.

Nos bastidores da política paraibana, comenta-se que o movimento do médico pode ter custado caro ao seu projeto eleitoral. Em várias regiões do Estado, aliados que vinham se aproximando já começam a se afastar, ampliando a sensação de isolamento político.

Há ainda outro problema no horizonte: a questão partidária. Nos corredores da política, cresce a avaliação de que Dr. Jhonny pode enfrentar dificuldades dentro do Avante, partido pelo qual vinha articulando sua candidatura à Câmara Federal.

Entre interlocutores do meio político, a avaliação — ainda que em tom reservado — é dura: para quem alimentava o sonho de se tornar uma liderança de peso no cenário estadual, Dr. Jhonny agora se vê diante de um cenário de incerteza e cada vez mais distante do protagonismo que pretendia alcançar.

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