MOISÉS CONTRA O CRUZEIRO ESPORTE CLUBE

Por Por Alisson Pinheiro - em 4 semanas atrás 108

O Preço de uma Promessa: A luta de Moisés para vencer o Cruzeiro

Para Moisés, a bola rolando não era mero entretenimento: era uma tragédia que envolvia a honra, uma neurose que lhe consumia as entranhas e se insinuava nas sombras da sua consciência. Dono de um bar na movimentada Avenida Getúlio Vargas, ele tirava do balcão o sustento diário, mas era no gramado que seu coração realmente batia. A dominação inabalável do Cruzeiro Esporte Clube no futebol picuense pesava sobre o seu espírito como uma afronta pessoal. Determinado a desafiar aquele poder que parecia absoluto, resolveu gastar o que tinha e o que não tinha para revitalizar o Picuí Clube e transformá-lo em uma força capaz de bater de frente com o rival. Queria o milagre, a desfeita, a vingança! Todavia, o destino foi cruel: o Picuí Clube acumulou dez derrotas seguidas. Dez facadas no peito de um homem que via seu time ser massacrado domingo após domingo pelo vil oponente.

Tudo ou Nada

Entretanto, as seguidas humilhações apenas radicalizaram sua determinação, imbuindo-a de um caráter quase religioso. Havia nele essa insensatez trágica que impele os homens a irem além dos seus limites.

Em meio ao desalento geral, Moisés selou um juramento irrevogável: não haveria trégua, rendição ou aposentadoria enquanto o Picuí não dobrasse os joelhos do arrogante rival.

Sem encontrar talentos à altura nas proximidades, não mediu esforços nem recursos financeiros. Investiu alto para trazer reforços de peso vindos de fora, nomes de respeito no futebol regional, como Raminho, que brilhara no Sport, e Pedrinho, Silva, Ribamar e Lúcio vindo do Campinense.

A Glória e a Queda

E a providência, sempre caprichosa, finalmente cedeu. Num dia memorável, travou-se uma peleja brutal e angustiante na qual o Picuí Clube arrancou do Cruzeiro uma vitória desesperada de 3 a 2. A torcida enlouqueceu, os bêbados comemoravam como se o mundo fosse acabar e Moisés pôde, finalmente, olhar para o céu com a alma lavada e gritar, promessa cumprida!

Porém, o preço da vitória foi devastador: a sangria financeira exaurira a última gota de seu patrimônio. O bar na Getúlio Vargas faliu miseravelmente e, na esteira do colapso, o próprio Picuí Clube dissolveu-se como fumaça ao vento. Sem o botequim, sem o time e sem um tostão no bolso, mas honrado pelo sangue da vitória que perseguiu, Moisés fechou as portas do seu passado e partiu, em silêncio, para recomeçar a vida em João Pessoa.

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