2026 se encaminha para mais uma grande seca no Nordeste

Por Pesquisa de José Onildo de Negreiros - em 11 minutos atrás 6

O cenário climático para 2026 no Nordeste brasileiro acende um sinal de alerta para governos, produtores rurais e a população em geral. Órgãos oficiais de monitoramento apontam para a intensificação da seca e para a irregularidade das chuvas já nos primeiros meses do ano, ampliando preocupações quanto ao abastecimento de água, à produção agrícola e às condições socioeconômicas da região.

De acordo com prognósticos meteorológicos, o início de 2026 deverá ser marcado por uma distribuição irregular das chuvas em grande parte do Nordeste. As previsões para o mês de janeiro indicam volumes abaixo da média histórica em áreas extensas da Bahia, no centro-sul do Piauí, na região central do Maranhão e no oeste de Pernambuco. Esse comportamento compromete a recarga dos reservatórios e dificulta o planejamento das atividades agrícolas, sobretudo no Semiárido.

Outro fator de preocupação é o calor intenso. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média para grande parte da região neste começo de ano, o que tende a aumentar a evaporação da água armazenada em açudes e barragens, agravando ainda mais o quadro de escassez hídrica.

No campo dos fenômenos climáticos globais, o La Niña — geralmente associado a condições mais favoráveis de chuva no Nordeste — deve persistir de forma fraca até fevereiro de 2026, com transição para a neutralidade ainda no primeiro trimestre. Apesar disso, especialistas alertam para a possibilidade de uma mudança para o fenômeno El Niño ao longo do ano. Caso se confirme, essa transição poderá intensificar a seca no Semiárido nordestino, historicamente mais vulnerável aos efeitos desse evento climático.

Os níveis de armazenamento de água nos principais reservatórios da região refletem esse cenário de preocupação. No Ceará, os açudes iniciaram 2026 com cerca de 40,37% da capacidade total, embora exista uma grande desigualdade entre as bacias hidrográficas, com algumas em situação confortável e outras em estado crítico.

Os prognósticos meteorológicos para o início de 2026 indicam um cenário preocupante para o semiárido da Paraíba, com tendência de chuvas abaixo da média histórica no primeiro trimestre (janeiro a março).

As Regiões mais afetadas do Sertão, Alto Sertão, Cariri e Curimataú devem enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média no começo do ano.

No Rio Grande do Norte, a realidade é ainda mais delicada. Dados do início de janeiro mostram que ao menos 33 reservatórios operam com volume abaixo de 20% de sua capacidade, o que coloca várias cidades em risco de colapso no abastecimento. Em algumas regiões, como o Agreste, já há registros de falta d’água, impactando diretamente a população e provocando o adiamento de obras de infraestrutura que dependem do fornecimento regular.

Diante desse quadro, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) confirmou, em boletins recentes, que a seca se intensificou no Nordeste, mantendo a região sob monitoramento rigoroso. O objetivo é acompanhar a evolução das condições climáticas e hídricas, subsidiando ações emergenciais e políticas públicas voltadas à mitigação dos efeitos da estiagem.

Especialistas reforçam a importância do uso racional da água, do fortalecimento das ações de convivência com o Semiárido e da ampliação de investimentos em infraestrutura hídrica. Com um cenário climático cada vez mais imprevisível, a gestão eficiente dos recursos naturais torna-se essencial para reduzir impactos sociais e econômicos ao longo de 2026.

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