EUA expulsa delegado da PF que atuou no caso Ramagem após prisão do ex-deputado pelo ICE
Por Redação com BC1 - em 1 hora atrás 7
Os Estados Unidos determinaram a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da corporação em Miami, após sua participação no caso que culminou na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, por veículos da imprensa nacional, com base em manifestação atribuída às autoridades americanas.
De acordo com o que foi apurado, o delegado brasileiro teria ultrapassado, na avaliação do governo dos EUA, os limites da cooperação institucional. A leitura feita pelas autoridades americanas é a de que houve tentativa de acionar o sistema migratório como atalho para um caso de forte repercussão política no Brasil, o que provocou reação imediata de Washington.
O episódio ocorre poucos dias depois de Ramagem ter sido preso pelo ICE em território americano. A detenção foi confirmada em 13 de abril. Dois dias depois, em 15 de abril, ele foi solto, segundo informações da Reuters e da Associated Press. Ainda não há, até aqui, uma explicação pública detalhada das autoridades americanas sobre os termos exatos da liberação.
O caso cria um novo desgaste diplomático e abre uma crise delicada. De um lado, a prisão de Ramagem mostrou que havia cooperação ou, no mínimo, circulação de informações entre autoridades brasileiras e americanas. Do outro, a retirada do delegado indica que os EUA quiseram deixar claro que não aceitam que seu sistema migratório seja usado como extensão da disputa política e judicial brasileira. Essa conclusão é uma inferência a partir do motivo relatado pela imprensa para a decisão americana.
No ambiente político, o episódio tem peso explosivo. Primeiro, porque Ramagem é um personagem central da direita bolsonarista. Segundo, porque a decisão dos EUA alimenta duas narrativas opostas: a de que houve cooperação legítima para localizar um condenado e a de que autoridades brasileiras teriam ido além do permitido. É justamente nessa zona cinzenta que a crise ganha tração.
