Alcolumbre decide não receber Messias e influência dele deve definir destino de indicação ao STF
Por Por Túlio Amâncio, Caetano Tonet, GloboNews e g1 — Brasília - em 11 minutos atrás 3
A articulação política em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em uma fase decisiva no Senado, com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), adotando uma postura de cautela que pode ser determinante para o resultado da votação.
Segundo relatos de aliados, Alcolumbre afirmou que não pretende receber Messias neste momento para “manter neutralidade”.
Nos bastidores, a avaliação é que um encontro agora poderia ser interpretado como sinal de apoio à indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Governo vê base insuficiente
De acordo com líderes e ministros, o governo trabalha atualmente com um cenário apertado no Senado. A contabilidade indica:
25 senadores considerados votos fiéis a Messias
35 senadores que já declararam ser contrários à indicação
21 senadores indecisos, que devem definir o resultado
Entre os indecisos, de 12 a 15 parlamentares fazem parte do grupo mais próximo de Alcolumbre e aguardam uma orientação direta do senador.
Influência de Alcolumbre
Apesar de afirmar publicamente que não atua nem a favor nem contra o nome indicado, Alcolumbre tem lembrado a interlocutores que já havia alertado Lula, no momento da indicação, sobre a resistência que Messias enfrentaria no Senado.
A expectativa é que ele sinalize sua posição entre hoje e amanhã, o que pode influenciar diretamente os votos do chamado “centrão”.
O clima no governo também mudou nos últimos dias. Se antes a projeção era de ao menos 46 votos favoráveis, agora o número caiu para cerca de 44 apoios, segundo aliados do presidente do Senado.
Nos bastidores, a leitura é que a semana começou de forma negativa para Messias, com sinais de insegurança política e tentativas de intensificar a agenda de articulação, incluindo uma aproximação com Alcolumbre.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que Alcolumbre não está trabalhando a favor e que deveria receber Messias.
“Não está trabalhando a favor. Não vou dizer que está trabalhando contra, mas óbvio que a chancela ajudaria. Se quisesse ajudar, ele poderia estar pedindo voto. Eu não tenho a informação de que ele esteja pedindo voto contra”.
“Eu acho que institucionalmente ele deveria receber. Evidentemente já se conversaram, mas não depois da indicação. É uma decisão dele. Eu não vou pedir para ele receber. Seria uma função institucional de receber”, prosseguiu.
Negociação com emendas
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE) — ex-líder do governo na Câmara, entrou em campo para tentar reverter o cenário. Ele negocia o empenho de emendas parlamentares como forma de atrair votos.
No entanto, senadores têm demonstrado resistência. O motivo é a desconfiança gerada após a votação que aprovou Flávio Dino para o STF, quando, segundo relatos, o governo empenhou emendas, mas não efetivou os pagamentos.
Nesse contexto, parlamentares afirmam que só aceitariam fechar acordos com o aval de Alcolumbre, visto como um “fiador” político capaz de garantir o cumprimento dos compromissos.
